segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Tatooed all I see, all that I am, all I will be !

Entre o dizível e o indizível se mantém a criação do poeta.A minha,flutua.Pois não gosto da grama verde,muito menos do sol brilhando.Gosto das folhas secas,da corrente fria batendo nas árvores fazendo com que mais folhas secas se joguem no chão.
Não gosto de encontros marcados,de homens amados e de histórias bem contadas.Gosto da confusão de fatos,do caos.Do amor sem juízo e logo após a solidão.
Não tenho a pretensão de contar aos meus netos,que caí do balanço quando era jovem,que fui um adolescente aplicado,que me casei e tive a mãe deles e que sorri e sempre sorri.Quero contar as coisas pelas coisas,o certo pelo incerto.O não politicamente correto,as doses demasiadas de whisky e cigarros,os caminhos tortuosos que me debati,as melhores e as piores escolhas que tomei.O sangue que se derramou,as lágrimas que contive.Os segredos pouco administrados e os medos que por mim,foram largados.
Talvez por não conter um molde da sociedade,que eu flutue.E eis que surge a grande saída:caminhar dia por dia.E por não ter esse tal molde,que possuo amizades concretas,momentos simbólicos,amores e episódios,o certo pelo certo dessa vez.Dizer o que jamais soube ser dito e viver aflito por não cumprir tal missão? Sim.Definitivamente sim ! Pois assim que nasci fiz um pacto com a vida. Um pacto simples,daquele que já viveu,que já sofreu,que já amou e que ainda assim nasceu.
Eu escrevi a minha vida e ela me escreveu.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Desfazer

E para cada incêndio eu ainda tenho um pouco de água.
Para cada inferno eu juro ainda ter um pouco de céu.
Para problemas,dores e confusões eu possuo soluções,remédios e paz.

Eu me auto soluciono.
Não preciso infelizmente de ninguém para me desfazer.
Eu me auto desfaço.

Sem ninguém ver.
Sem ninguém saber.
Eu me auto desfaço.

Com todo mundo vendo.
Com todo mundo sabendo.
Eu me auto desfaço.

Com amor ou sem amor.
Com virtude ou não.
Não leve a sério nada daquilo que falo.
Pois todo dia, eu me auto desfaço.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Amor sem dor.

Entre paredes e folhas me mantenho aquecida.
As janelas fechadas, as portas encostadas e o abajur aceso.
Eu começo a te chamar, mas você finge não ouvir.
Vem,sem medo,eu preciso do seu cheiro.
Preciso das suas mãos,suas costas,vem!
E assim,a porta começa a abrir,lentamente...

O silêncio se torna dono quarto.
O peso na cama começa a surgir.
Nos beijamos,nos amamos.
Corpos suados molhando o lençól assim como a tempestade molhava a rua.
Dormimos.
Não,não sonhamos.

Sorrimos.
O dia amanhece.
- Eu amo você.
- Eu também.
- Tenho que ir,vou pro trabalho!
- Tudo bem.
- Seu nome mesmo?
- Amanda,o seu é Ricardo né?
- Haha,não,Pablo. Se cuida meu amor.
- Você também!

.......................

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Navegar

A sua falta de tato
Está no seu jeito de olhar
Todos os seus sonhos quebrados
Já desistiu de encontrar

Você lamenta o passado
E não planeja o que virá
Gaguejando o presente
Com medo de se arriscar

A deriva na vida,você vai afundar!
Esse é o esquema
Você quer apostar?

A tua falta de saco
Está presente no teu olhar
Evitando aproximações
Com medo de se machucar

Acumulando vontades
Que vão sempre te perturbar
Deitado na cama
Sem força pra levantar

A deriva na vida,você vai afundar!
Esse é o esquema
Você quer apostar?

domingo, 4 de julho de 2010

Sem freio

Acelera,acelera.
Não olha para nenhum dos seus lados.Fecha os olhos,se entrega.
Acelera,acelera.
No meu carro descompassado que queima essencialmente o que está dentro.Queima alto,queima vivo,queima sem dor.
Queimaduras marcantes e saborosas.Mordidas lambidas e armadilhas doídas.
Eu quero um beijo gelado nessa cicatriz da vida. Acelera,acelera...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O doce do chocolate

E eu que já me fechei por causa dos medos criados hoje me abro ao tudo de novo e ao mais uma vez.Meus desejos infantis renasceram como uma explosão sensitiva.
O chocolate voltou a ter o mesmo gosto.Os desenhos são engraçados.Chorar,só por coisa boba,coisas que não envolvam sentimento.Quero juntar dinheiro para comprar o meu próprio avião e receber o óscar com um vestido vermelho.
As bonecas e os ursinhos espalhados pelo quarto voltaram a sorrir para mim,um sorriso largo e com dentes brancos.Cada dia eu escolho o que está sorrindo mais forte para dividir a cama comigo ou até mesmo assistir um filme.
Voltei a achar graça nas pequenas reuniões, nos livros mais finos e ilustrados e tudo ficou tão doce... A seriedade da vida e o peso da idade às vezes nos corrompem e nem percebemos,perdendo assim o mais digno da vida e o mais sincero que é ser feliz, integralmente feliz.
O tempo nos torna pessoas movidas a grandes alegrias e a grandes tristezas enquanto em si somos felizes e nem reparamos.Curtir a vida em pequenos pedaços é saborear cada ingrediente da sobremesa,calibrar lentamente a gasolina do gostoso,do prazeroso.Ao contrário de engoli-la de uma vez, e tornar aquilo um choque de alegria mas tão rápido, tão efêmero.
Não temos mais paciência de sermos felizes,queremos ser alegres.Queremos o máximo sempre e quando caímos choramos de dor,choramos de medo e nos fechamos, como eu já me fechei.
Crianças só correm,se machucam e acham graça. Se machucam e correm mais ainda...
As feridas marcam os seus corpos formando uma coleção de cicatrizes.E ainda assim elas correm,sorrindo e felizes.

Tudo por causa do chocolate...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A única maça podre

Vamos curtir o exagero e bater palmas para o excesso.
Abraçar o horizonte e ainda restar espaço para um novo companheiro.
Vamos nos merecer,saborear,cultivar o tão pouco cultivado.
Vamos ser extremistas,ataques de loucura são sempre bem vindos em minha casa ...
Vamos ser e não ser.
Instável e pouco amado.
Banal e querido.
Bandido e mocinho.
Morador e vizinha...
Sejam tudo isso,por favor, para que eu não me sinta sozinha.